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Apresentação
Um rio que
une climas e regiões
diferentes
Rio da integração nacional, o São Francisco,
descoberto em 1502, tem esse título por ser o caminho de
ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste.
Desde as suas nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais,
até sua foz, na divisa de Sergipe e Alagoas, ele percorre
2.700 km. Ao longo desse percurso, que banha cinco Estados, o rio
se divide em quatro trechos: o Alto São Francisco, que vai
de suas cabeceiras até Pirapora, em Minas Gerais; o Médio,
de Pirapora, onde começa o trecho navegável, até Remanso,
na Bahia; o Submédio, de Remanso até Paulo Afonso,
também na Bahia; e o Baixo, de Paulo Afonso até a
foz.
O rio São Francisco recebe água de 168 afluentes,
dos quais 99 são perenes, 90 estão na sua margem
direita e 78 na esquerda. A produção de água
de sua Bacia concentra-se nos cerrados do Brasil Central e em
Minas Gerais e a grande variação do porte dos seus
afluentes é consequência das diferenças climáticas
entre as regiões drenadas. O Velho Chico – como
carinhosamente o rio também é chamado – banha
os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
Sua Bacia hidrográafica também envolve parte do
Estado de Goiás e o Distrito Federal.
Os índices pluviais da Bacia do São Francisco
variam entre sua nascente e sua foz. A poluviometria média
vai de 1.900 milímetros na área da Serra da Canastra
a 350 milímetros no semi-árido nordestino. Por
sua vez, os índices relativos à evaporação
mudam inversamente e crescem de acordo com a distância
das nascentes: vão de 500 milímetros anuais, na
cabeceira, a 2.200 milímetros anuais em Petrolina (PE).
Embora o maior volume de água do rio seja ofertado pelos
cerrados do Brasil Central e pelo Estado de Minas Gerais, é a
represa de Sobradinho que garante a regularidade de vazão
do São Francisco, mesmo durante a estação
seca, de maio a outubro. Essa barragem, que é citada como
o pulmão do rio, foi planejada para garantir o fluxo de água
regular e contínuo à geração de energia
elétrica da cascata de usinas operadas pela Companhia
Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) – Paulo
Afonso, Itaparica, Moxotó, Xingó e Sobradinho. É é assim
que ela opera.
Depois de movimentarem os gigantescos
geradores daquelas cinco hidrelétricas, as águas do São Francisco
correm para o mar. Atualmente, 95% do volume médio liberado
pela barragem de Sobradinho – 1.850 metros cúbicos
por segundo – são despejados na foz e apenas 5%
são consumidos no Vale. Nos anos chuvosos, a vazão
de Sobradinho chega a ultrapassar 15 mil metros cúbicos
por segundo, e todo esse excedente também vai para o mar.
A irrigação no Vale do São Francisco, especialmente
no semi-árido, é uma atividade social e econômica
dinâmica, geradora de emprego e renda na região
e de divisas para o País – suas frutas são
exportadas para os EUA e Europa. A área irrigada poderá ser
expandida para até 800 mil hectares, nos próximos
anos, o que será possível pela participação
crescente da iniciativa privada.
O Programa de Revitalização do São Francisco,
cujas ações já se iniciaram, contempla,
no curto prazo, a melhoria da navegação no rio,
providência que permitirá a otimização
do transporte de grãos (soja, algodão e milho,
essencialmente) do Oeste da Bahia para o porto de Juazeiro (BA)
e daí, por ferrovia, para os principais portos nordestinos.
Números do Rio
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