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Opiniões
TRANSPOSIÇÃO: Obra de união nacional
O Jornal - Alagoas
* Fernando Valença
20/04/2005
OFaz mais de vinte anos, preocupado com o futuro em meio a tantas apreensões no país, fui para o aeroclube e, muito cedo, sozinho, decolei com o pequeno avião. Acima dos 700 pés olhei para baixo: o panorama de sempre (o movimento dos carros, a vermelhidão dos telhados, as “feridas” do chão, u’a mesmice um tanto enjoada...); porém eu não quis voltar porque lá embaixo a vida “estava” mais hostil! Resolvi fazer algo diferente: subir mais; aos poucos acelerei o velho motor “Continental” de 90 HP e fui escalando até os 5.000 pés! Regulei o estabilizador e senti uma sensação única: de paz! De um lado, a imensidão grandiosa do Oceano Atlântico, um espelho hipnotizador atraente: deu vontade de comandar 90 graus em direção àquela calmaria. Antes de fazer isto, olhei para o outro lado e para baixo: vi Recife e “todo” o Grande Recife! Diferente: um caleidoscópio onde fazia falta a beleza verde das matas, ah! Pensei: tudo aquilo foi, um dia, o predomínio do verde escuro (forte e viçoso) da Mata Atlântica; agora, só pequenas manchas... Enfim, os cortes e recortes da devastação que a
presença humana provoca, convertendo a Natureza naquilo: a grande cidade do Recife! Saturada de problemas. Problemas? Não os sentia ali; quis subir mais porém aquele aviãozinho, entre outras limitações não era pressurizado.
Essa evocação me faz “aterrissar”, isto é, retornar à realidade e, neste caso, ao momento atual. Estamos vivendo uma experiência que merece atenção, cuidado, raciocínio, sentimento. Refiro-me à Transposição de água do Rio São Francisco! Merece atenção porque, depois de 5 séculos sem ter sido enfrentada, a desgraça da seca no Semi-Árido do Nordeste setentrional vai ser eficazmente combatida pelo Governo Federal que elaborou o Projeto de Integração e Revitalização do Rio São Francisco, um trabalho impecável da
Engenharia brasileira, como não há outro igual no mundo! Merece cuidado
para que não tenha o destino do arquivamento empoeirado de “n” volumes de consultoria, metros e metros quadrados de mapas e um mundo de pastas saturadas de todo tipo de papéis da burocracia oficial que gera uma conta altíssima para o povo pagar mais “um projeto”... Merece raciocínio porque, afinal, o problema da seca é antigo: expulsa famílias de sua terra; mutila a Natureza; provoca desnutrição, doenças e morte em animais e nas pessoas... No entanto, é possível aliviar tamanho sofrimento, de maneira sustentável, com a transposição de água do rio S. Francisco para lá. Uma dedução simples que não admite contestação. Finalmente, merece sentimento, uma vez que é injusto tomar conhecimento de que temos uma praga expulsando crianças e jovens e adultos de suas casas para lugares incertos, distantes, onde vão sofrer um tipo adicional de padecimento: não terem onde morar, não estarem habilitados para trabalhos diferentes, serem
humilhados moralmente; mendigar e/ou furtar para mitigar a fome e inúmeras vezes se perder no caminho da marginalidade e outros castigos inomináveis... É inaceitável não SENTIR tal destino de milhares de irmãos nossos, nordestinos, nascidos no semi-árido do Brasil!
Tudo isso para dizer, afinal, que somos filhos naturais do Brasil. Isto aqui não é uma porcaria de Nação onde estamos todos nivelados pelo lamaçal do ódio, da desunião, da miséria cívica... De um modo geral somos fraternais, gostamos de ajudar, somos normais. O povo elegeu um dos seus, há 3 anos, como nunca o fizera antes: um nordestino “lascado” de tão pobre que era no entanto, já colocou este País no mais alto ponto da consideração Mundial! Ele é o presidente de todo o povo brasileiro que o elegeu limpamente! Ele sabe que o Projeto da Transposição do S. Francisco é uma obra como nunca houve outra, em relação ao combate às secas e decidiu fazer a Transposição! Está na hora dos que estão atirando pedras nesse Projeto, se comportarem como irmãos e não como inimigos dos sertanejos do Brasil.
Temos o dever de respeitar a decisão do Presidente com essa visão do alto:
o Projeto da Transposição do S. Francisco é uma obra de união nacional.
· Sertanejo, piloto, advogado, jornalista, escritor, radialista, ensina oratória.
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