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Opiniões


A transposição calará picaretas!
O Jornal - Alagoas

Fernando Valença

19/05/2005


O povo já estava de saco cheio de ouvir promessas velhas, em vão... É a praga mais comum de nossa fraca realidade política. Napoleão Bonaparte disse:Os homens lutam com mais bravura pelos seus interesses do que por seus princípios. Aqui no Brasil isso virou moda, faz tempo.

A questão secular da transposição de água do Rio São Francisco para beneficiar o semi-árido nordestino, é uma daquelas humilhações que comprovam o quanto somos fracos e o quanto têm sido ruins nossos governos, em todos os níveis. Já o disse, escrevendo: Ninguém nasce governo; os que viram governo também são paridos pelo povo, logo...

Por isso mesmo, convém seguir destilando inconformidade com o que envolve a edificação do projeto de integração do rio São Francisco. Imagine-se: o semi-árido nordestino setentrional, (abrange o Ceará, R. G. do Norte, Paraíba e Pernambuco), é uma região castigada por secas devastadoras, desde que o mundo existe. No tempo do Brasil Colônia, a seca de 1721/6 sacrificou quase 1 milhão de pessoas e rebanhos inteiros de animais, além de plantações... Tão grande que o Reino de Portugal mandou três navios lotados de remédios, alimentos e ferramentas para socorrerem as vítimas! Os sobreviventes receberam ordem para se ocuparem construindo açudes, cisternas, etc., capazes de acumular água até as chuvas, um dia, voltarem.

Ali começou o que conhecemos como política assistencialista, maldição que variou para cestas básicas, carros-pipa, frentes de trabalho, (finge que é trabalho), para receber uns trocados e outros tipos de esmolas provisórias que não trazem solução definitiva para o sofrer dos pobres flagelados mas enchem os cofres de uns poucos que, eles sim, resolvem seus problemas: aumentam seus patrimônios e o poder que detêm graças à manipulação política, argentaria, imoral, do enriquecimento que cada seca lhes traz.

A seca de 1998 a 2000, por exemplo, custou mais de R$ 2 bilhões! Na ocasião, a transposição custaria um pouco mais e não era, como não é, uma medida assistencialista corrompida, inócua, temporária; ao contrário: o Projeto da Transposição é uma obra definitiva, concreta: o que se gasta com a Política Assistencialista de duas secas como aquela, paga toda a obra da transposição que é definitiva, no combate à escassez de água!

No séc. XIX, o Imperador D. Pedro II esteve aqui; emocionado, prometeu vender os 632 diamantes de sua coroa e doar o apurado contra as secas! Logo depois foi expulso do Brasil... A República vem gastando com estudos, pesquisas, relatórios, estimativas, avaliações, projetos e o diabo a quatro, que o povo sempre pagou, mas nada de obra. Dói evocar esse nojo. Existem milhares de transposições de água, no mundo inteiro; é simples de se fazer: só precisa de dinheiro e decisão de macho. O Egito, a China e o Peru têm transposição de água. O governador da Guanabara, Carlos Lacerda, fez a do Rio Guandu, no grito; ele costumava aparecer, de surpresa, nas escavações dos túneis e noutras obras que não paravam, dia e noite. O Secretário de Obras era seu amigo, no entanto, numa daquelas incertas, não estava na obra... Lacerda o exonerou, sumariamente! Eu morava perto, lembro-me do fato. A transposição do rio Paraíba do Sul para o rio Guandu resolveu em definitivo o problema da falta d`água no Rio de Janeiro, até hoje! Em São Paulo há outra: do rio Piracicaba para o Tietê. A transposição utilizará 26 metros cúbicos/seg. de água do S. Francisco. Se chover copiosamente, as bombas não sugarão nenhuma gota d`água do rio! É um projeto sério, moderno, confiável, tecnicamente perfeito e, no entanto, há indivíduos (não são relativamente incapazes como os indígenas e/ou os escravos) ao contrário, alguns até são formados, mas condenam a transposição! Isto aqui não é senzala sem feitor... As obras da transposição vão começar; está demorando mas não há como impedir: o Presidente vai cumprir o que prometeu. Nem precisou ser na marra, contra charlatães e mentirosos!


 
     
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