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Opiniões


Exército pronto
Jornal da Paraíba

Editorial

12/05/2005


O baiano Antonio Carlos Magalhães não deixou por menos. O projeto de cessão de águas do São Francisco às zonas secas da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará servirá apenas, ao seu ver, "para dar dinheiro a empreiteiras". Inscrito na relação dos mais notórios políticos brasileiros, ele representa, no Senado Federal, um dos Estados de onde têm partido as objeções mais incisivas ao plano de interligação das bacias hídricas do Nordeste Setentrional.

Portanto, muito do que o senador da Bahia pensa e fala desse projeto não deve ser levado em conta. Suas opiniões sobre o assunto, afinal de contas, surgem e se expandem com o sabor amargo da má vontade, da objeção pela objeção, do ouvido de mercador para os clamores de 12 milhões de nordestinos atingidos, repetidamente, geração após geração, pelo drama da estiagem.

Mas a acusação de Antonio Carlos remete à constatação de que a transposição de águas pode ter seu custo reduzido com a ajuda de uma mão-de-obra extremamente qualificada para a execução dos serviços.

Que o diga o 1º Grupamento de Engenharia e Construção, unidade do Exército sediada em João Pessoa. Em janeiro de 2000, quando o tema ganhava as primeiras repercussões nacionais, o então comandante da corporação, general Marco Antonio Longo, já se dizia preparado para deslocar homens e equipamentos aos pontos de tomada da água requerida pelo Semi-Árido.

Lembrava o militar que o Grupamento dispunha de subunidades já atuando nas regiões onde deveria ocorrer a instalação das estações de captação e das adutoras necessárias à transposição pretendida. Além disso, o Grupamento se prestava à execução de outro projeto reclamado pelos críticos mais ferrenhos da interligação de bacias: a realimentação do São Francisco com águas do Tocantins. "Uma falha tectônica em Formosa do Rio do Preto facilita esse transporte", avisava, na ocasião, o general.

A lembrança de tais fatos vem, agora, à tona para demonstrar que à obra prometida por Dom Pedro II e aguardada há 160 anos pelas populações da zona seca não falta, sequer, a possibilidade do concurso do Exército. Este, é bom que se diga, pode e deve ser requerido. Aproveitá-lo significará, no mínimo, rebater no nascedouro insinuações como as do senador baiano.


 
     
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