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Opiniões


O Planeta Água
Correio da Paraíba

Paulo Gadelha

25/04/2005


É inafastável determinismo histórico: a água será o petróleo do século XXI.
Assim, pelo seu uso e aproveitamento, tudo pode acontecer, inclusive conflitos entre nações.
É que, para a ONU, por exemplo, "os problemas mais importantes do século XXI são a quantidade e a gestão da água".
Assim, dentro de tal paisagem, é caótica a situação mundial.
Começa, diz a Organização das Nações Unidas - ONU - pelo fato de que, em inúmeras regiões do planeta terra, populações inteiras não dispõem, pelo menos, de cinqüenta litros diários, per capita, para o atendimento de suas necessidades mais urgentes, quando é sabido que, nos países mais desenvolvidos da União Européia, o consumo médio oscila entre 300 a 400 litros, ao dia, e nos Estados Unidos a média, por habitante, gira em derredor dos 600 litros.
No seu diagnóstico, a ONU lembra que, no mundo, atualmente, um bilhão e cem milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
Depois, para o Grande Fórum Internacional, em relatório recentemente divulgado, dois bilhões e quatrocentos milhões de seres humanos, em todos os quadrantes da terra, não possuem saneamento básico, pela falta - é o óbvio - daquilo que, lugar-comum à parte, os cronistas do cotidiano, com muita propriedade, chamam de "o precioso líquido".
Realmente, precioso e indispensável.
Neste quadro desesperador, o Brasil é um oásis.
De fato, é o nosso país a maior reserva de água doce do planeta, representando cerca de 12% do potencial de todos os continentes.
Acontece que, boa e abundante, a nossa água é pessimamente distribuída.
Vejamos. A Amazônia, isto é, a chamada região norte, detém 88% de todo volume de água do Brasil, para um contingente que representa apenas 5% do total da população brasileira.
No Nordeste, ressalte-se, vivem 35% dos brasileiros, mas a nossa região tem somente 4% da água do País.
Democratizar a sua distribuição e utilização é imperativo de paz social e desenvolvimento harmônico.
Neste campo, inevitavelmente, entra a Transposição do Rio São Francisco como a grande alternativa para o refazer da área nordestina.
É, sem dúvida, uma espécie de "Abre-te, Sésamo", para a realização de um sonho sonhado desde o Império.
No Brasil, como já foi feito no Egito, na China, na Espanha, na África do Sul, nos Estados Unidos, no Equador, 70% das águas transpostas serão direcionadas para a agricultura irrigada, enquanto os 30% restantes terão usos diferentes, urbanos e industriais.
Agora, com certeza, transposto o Rio da Unidade Nacional, 12 milhões de excluídos sociais irão construir a sua história.
Quem viver, verá.


 
     
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