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Opiniões


A transposição
Editorial - Tribuna de Alagoas

18/04/2005


Quem acompanha com isenção, há mais ou menos cinco anos, as divergências entre os que concordam ou discordam com a transposição das águas do rio São Francisco, nota uma linha divisória que separa as pessoas radicadas por Estados que são ou não banhados pelo chamado rio da unidade nacional. Os envolvidos nesse debate, geralmente personalidades influentes em suas comunidades, que são radicados por estados banhados pelo São Francisco, discordam da transposição. Os que se situam em unidades da Federação que não são banhadas pelo São Francisco, ou o são em pequeno curso, são favoráveis.
Basicamente, os que são contrários temem que o desvio provoque a degradação do rio, a diminuição do volume de água e prejudique consequentemente as comunidades ribeirinhas e adjacentes. Os favoráveis clamam por um abastecimento regular em vastas áreas onde a água de superfície é praticamente inexistente e os indivíduos dependem de chuvas irregulares ou de poços artesianos de alto custo e difícil manutenção.
Inicialmente, é necessário salientar que a transposição do São Francisco não é uma providência isolada. Ela deverá integrar, se houver um mínimo de responsabilidade de parte dos homens que decidirão os destinos deste País em futuro próximo, uma seqüência de grandes obras que integrará as bacias das diversas regiões.
Só assim, a fantástica quantidade de água dos rios do Norte poderá ser útil ao Nordeste, ao Sudeste e ao Sul.
O Brasil, uma nação de dimensões continentais, tem água demais no Norte, de menos no Nordeste e em quantidades regulares no Sudeste e Sul.
A França, um país mais ou menos com a superfície da Bahia, demorou quatro décadas para integrar as bacias dos rios Rhonne e Bonne, investindo bilhões de francos. A extinta União Soviética investiu enormes recursos no canal Volga/Don. São apenas dois exemplos de países que necessitam de água para consumo, navegação, pesca, irrigação e outras finalidades.
A natureza, quando generosa, dá os rios aos povos. Os homens têm a obrigação de domá-los e adequá-los às suas necessidades, naturalmente respeitando a natureza.
Esses são os sentimentos que devem presidir os debates sobre a transposição, para que uma questão de tanta relevância não se transforme num debate sem confiabilidade, motivado apenas por interesses locais, que ignorem as conveniências regionais e nacionais.


 
     
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