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Opiniões
Uma guerra sem
sentido
Jornal da Paraíba
* Inaldo
Leitão
13/04/2005
O nordeste deveria ostentar unidade
política
na defesa de bandeira de interesse da região,
certo? Deveria, mas não é assim que pensam
baianos, alagoanos, sergipanos e um pedaço dos
mineiros. Estes declaram guerra ao mais arrojado e importante
projeto Lula, orçado em R$ 4,5 bilhões,
a sonhada integração da Bacia do Rio São
Francisco às Bacias do nordeste Setentrional,
que levará água para Pernambuco, Paraíba,
Ceará e Rio Grande do Norte.
Também conhecido como projeto de Transposição de Águas
do São Francisco, a obra está merecendo a vigilância
redobrada e integral da representação política dos
estados considerados diretamente beneficiados, dos governadores e vereadores,
dos deputados aos senadores. Não se trata de uma batalha qualquer,
mas de uma autêntica guerra, embora falte-lha sentido. Os bloco
dos contra é ousado, ambicioso e cínico. Começando
pelos argumentos apresentados, todos falsos.
Para os supostos "donos" do Velho Chico, o projeto de Transposição
pode por em risco a vegetação nativa e a fauna aquática.
Uma inverdade, segundo estudos técnicos do IBAMA. O segundo argumento
dessa tropa peca pelo subjetivismo: eles acham que seria melhor o governo
aplicar os recursos em obras mais baratas, como a construção
de cisternas e adutoras. Pretensiosos, não? Finalmente os donos
da verdade alegam que faltará água do Rio daqui a uns 50
anos. Outra mentira, pois a vazão será de insignificantes
26m³ por segundo correspondendo a 1,4% da vazão total.
Com argumentos tão tolos os profetas da ambição
acabam esquecendo que a água a ser utilizada com a transposição
vai ser destinada principalmente ao consumo humano, servindo para matar
a cede de 12 milhões de nordestinos que habitam o Polígono
das Secas, e vai gerar cerca de 250 mil empregos. De mais, vai criar as
condições para a vida do homem no campo, reduzindo o êxodo
rural e aliviando a pressão sobre as grandes cidades.
O São Francisco é também chamado de "rio da
unidade nacional", tem 2.700km de extensão e o primeiro projeto
de transposição foi concebido quando Dom Pedro II era o
Imperador do Brasil. Todos ou quase todos os Presidentes da República
tentaram executa-lo. Falta-lhes coragem para enfrentar as resistências
dos mesmos trapalhões de hoje - com outras caras e nome, mas com
o mesmo pedigree geográfico. Curioso é que o projeto tal
como concebido agora, inclui a revitalização do rio, aliviando-o
do assoreamento, motivo mais que suficiente para fazer
a festa dos opositores da obra.
Sem favor algum, louva-se a atitude corajosa do
Presidente Lula, que já anunciou o início da obra para mês de abril. Embora
os R$ 635 milhões previstos no orçamento da União
represente uma parcela modéstia se confrontada com o custo total,
o simples início da obra já é algo fantástico.
Afinal, de Pedro II a FHC II transcorreu mais de um século. Tempo
em que a indústria do papel e a produção de promessas
pularam. E foi só.
(*) Deputado federal
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