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Opiniões
O Vale merece
Correio da Paraíba
* Rubens
Nóbrega
12/04/2005
A gente pode emplacar uma terceira entrada de águas
do São Francisco na Paraíba, beneficiando
também os 220 mil paraibanos que habitam o Vale
do Piancó.
A ligação seria feita através de
13 km que separam o Velho Chico, na fronteira com o Ceará,
e o açude Quixabinha, pertinho de nossa Conceição.
De lá, vai bater no rio Piranhas.
O Estado só precisa de um mínimo de união
de suas forças políticas para conquistar
essa pequena mudança no projeto de transposição. É muito
pouco para tamanho benefício.
A proposta de incluir o Vale do Piancó entre os
beneficiários diretos da obra é do Conselho
Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Paraíba
(Crea-PB).
O nosso Crea resolveu assumir e trabalhar pela causa
da transposição por compreender que ela
fará um bem enorme ao Nordeste e, sobretudo, ao
nosso Estado.
A entidade criou um grupo de trabalho para estudar e
propor alterações que melhorem a transposição
propriamente dita e a interligação de bacias.
O grupo reúne alguns dos nossos melhores especialistas
em recursos hídricos, garante o engenheiro agrônomo
Sérgio Barbosa de Almeida, atual presidente do
Crea-PB.
Coordenado por José Silvino, o GT Transposição
e Interligação de Bacias conta com representantes
da Suplan, Dnocs, Agisa e conselheiros do Crea.
O coordenador tem competência reconhecida cá dentro
e lá fora. Conhece e estuda as grandes transposições
de água do mundo e afirma que a nossa pode ser
bem melhor.
"Ao contrário de Estados Unidos e China,
por exemplo, não temos geleiras que retêm águas
transpostas e temos mais sol do que eles, o que é fundamental
para a agricultura", ensina.
Silvino é experiente até dizer basta. Professor
da UFPB (Campina Grande), onde dirigiu a área
tecnológica da instituição, foi
ainda secretário de Recursos Hídricos do
Estado e prefeito de Itaporanga.
Ele é o homem que idealizou e executou o Projeto
Canaã, arrojado programa de construção
de açudes, barragens e adutoras do governo Wilson
Braga (1983-86), que só tem paralelo no Plano
das Águas dos governos Mariz-Maranhão (1995-2002).
Sobre levar água do Velho Chico ao Vale do Piancó,
mostra que a região guarda 47% das águas
dos açudes públicos construídos
na Paraíba, mas o povo de lá só tem à sua
disposição 12% do total acumulado em todo
o Estado.
Coremas (1,3 bilhão de metros cúbicos),
praticamente um terço de toda a água doce
que temos, está no Vale, mas a grande barragem
de nada vale para o povo de Conceição,
Ibiara, Diamante, Boaventura, Itaporanga, Piancó...
Esse e outros argumentos fundamentam a precisão
das águas do Velho Chico no Vale do Piancó.
Mesmo que fosse apenas a título de compensação,
já se justificaria o adendo ao projeto.
Mas não é só isso. O Vale tem milhares
de pessoas carecendo de água perene para beber
e irrigar as terras boas que podem multiplicar emprego,
renda e felicidade na região.
Um Crea bem atuante
O Grupo de Trabalho Transposição do Rio
São Francisco e Interligação de
Bacias do Crea-PB, coordenado pelo engenheiro José Silvino, é formado
ainda pelos seguintes profissionais:
- engenheiros civis João Feitosa Leite (Suplan);
Luiz Hernani de Carvalho e Wellington dos Santos Mota;
Sólon Alves Diniz (Dnocs) e Laudízio da
Silva Diniz (Agisa); Herculano Galvão Marcelino
e Tarciso Cabral da Silva, mais o engenheiro elétrico
Antônio da Cunha Cavalcanti e o agrônomo
Antônio Alberto Diniz de Medeiros, conselheiros
da entidade.
O presidente Sérgio Almeida convidou também
o 1º Grupamento de Engenharia e Construção
do Exército Brasileiro para se integrar ao GT,
mas o Comando daquela unidade ainda não definiu
o seu representante.
Outra iniciativa de Almeida, sucessor do saudoso Raimundo
Adolfo na presidência do Crea-PB, é o Grupo
de Trabalho Educação. A idéia é ajudar
na melhoria do ensino, atualização curricular
e aperfeiçoamento profissional nas diversas engenharias.
O GT Educação reúne os conselheiros
Antônio Pedro Ferreira (engenheiro de minas), Vera
Lúcia Antunes (engenheira agrícola) e Benedito
Aguiar Neto (engenheiro elétrico), da UFCG; Homero
Catão (engenheiro civil) e Francisco Peregrino
(engenheiro mecânico), da UFPB, e o engenheiro
elétrico Marcos Meira, do Cefet.
Sérgio Almeida informa que outros grupos estão
sendo constituídos para atuação
em áreas e problemas específicos que têm
a ver com a missão do Crea. Adianta que um desses
grupos vai cuidar de inspecionar as condições
estruturais, de funcionamento e uso de grandes obras
públicas do Estado.
Isso é muito bom e merece o aplauso de toda a
Paraíba. Serve também de exemplo e referência
para outras entidades da sociedade civil, que podem e
devem zelar pelo bem coletivo, guiando-se unicamente
pelos legítimos interesses da população
paraibana.
E tudo sem qualquer injunção ou vinculação
político-partidária. Como deve ser, como
vem fazendo o Crea da Paraíba.
TRANSPOSIÇÃO SIM
Jota Alves gostou da letra da música sobre a transposição
que fiz em parceria com Robson Nóbrega, Geovane
e Fernando Moura. Com ela participamos de festival do
Sesc, em João Pessoa, em meados dos anos 90. Dela
me aproveitei para fazer a coluna de domingo.
Remexi a lembrança e remontei a história
daquela música para dizer, entre outras coisas,
que a transposição é sonho de muita
gente desde muito tempo, inclusive de um tempo em que
não se falava nem se escrevia tanto sobre.
Fiquei todo prosa por saber que alguém como Jota
reconheceu alguma qualidade nos meus versos. Ainda mais
pelo fato de ele acreditar que "o mundo será melhor
quando o menor que padece acreditar no menor".
Já Waldeban Medeiros considera que "a não
transposição do Velho Chico somente interessa
aos eternos acionistas da indústria da seca, muitos
deles proprietários de vergonhosos currais eleitorais".
Ele entende que, para esses, "quanto mais miséria,
melhor". Porque assim "estarão sempre
consolidando seus planos políticos à custa
da pobreza e ignorância do nosso povo".
Medeiros recomenda ao colunista voltar sempre que possível
ao assunto.
"Mais e mais injeção de otimismo sobre
a obra é sempre uma manifestação
de esperança nesse projeto e a redenção
do nosso tão sofrido Nordeste", diz.
Concordo.
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