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Opiniões
“Transposição:
vacina contra catástrofes”
O Jornal -
Alagoas
Fernando Valença
02/03/2005
Há pouco escrevi “A Transposição
vem de Cristo”, mas o fato de ser gente e não
ter aprendido a suportar injustiças sem reação
fez-me voltar com o título acima que expressa
indignação pelo que acontece agora. Esforço-me
para não misturar religião e contrariedade;
no entanto, por ter evocado antes o drama do Calvário,
para mostrar a injustiça que se pratica contra
o Projeto de Integração e Revitalização
do rio São Francisco, volto a tocar naquele ponto
como convite à reflexão.
Cercado por meus animais, na placidez de sua irracionalidade,
olhando para eles enquanto a madrugada vai chegando, experimento certo
embaraço,
na ânsia de encontrar palavras para dirigir-me a outros animais,
racionais: meus irmãos...
Tudo por causa de algo inadmissível, ora acontecendo, acreditem:
há pessoas com toda aparência de normais, educadas, esclarecidas,
brasileiras e até
nordestinas (!), que são contra a Transposição de água
do rio S. Francisco para o semi-árido do Nordeste setentrional!?
Se fossemos todos irracionais, tudo seria mais simples: é o que
parece, visto daqui, com esses, deitados docilmente em meu redor, felizes.
Lamentavelmente, não dá para comparar esse quadro de união
e harmonia com o de desunião, agressão, desconhecimento
e injustiça, por parte de criaturas humanas, de fora e daqui, contra
aquele Projeto!
É inacreditável! Principalmente porque é facílimo
demonstrar, sem firulas nem disfarces a austeridade, precisão,
grau de pesquisas e estudos exaustivos efetuados, até a definição
completa daquele Projeto que cumprirá o dever de ajudar honestamente,
patrioticamente, a proporcionar vida digna, (-um direito fundamental do
homem que não é observado, há séculos, na
Região-), a milhões de famílias pobres, do semi-árido
nordestino brasileiro; paradoxalmente, em lugar dos que são contra
lerem e relerem o Projeto que é uma dádiva, uma jóia
rara, um “milagre” da engenharia brasileira e em seguida oferecerem,
fremindo de emoção como sentimento cívico de contentamento,
aplauso, aprovação e ardorosa alegria por ser verdade que
estará definitivamente selada a certeza de que a desgraça
da seca não será mais causa de sofrimento físico,
humilhação e morte por miséria dos sertanejos do
Brasil, em vez disso, o que se vê são ataques levianos, irresponsáveis,
sem nenhuma demonstração real do que, numa brutal impostura,
por ai sacodem: inverdades “técnicas” contra o Projeto!
Uma ação ação desrespeitosa e, pior: injusta!
Difundem a dúvida, semeando germes de desconfiança cujo
custo o povo também paga por essa orgia, cavilosa, que deveria
ser impiedosamente sufocada.
Às vezes fico matutando: será que o Projeto peca por ser
muito transparente? É que, nas minhas recordações
de comparecimento a “debates”, “apresentação
disso”, “conferência daquilo”, em geral movidos
a coquetéis e “coffes brakes”, sempre tive o cuidado
de olhar para as caras de “filósofos”, palestrantes
e demais convidados, durante as “boutades” ao microfone e
recolhi, ao longo do tempo, uma impressão de que inúmeros
desses encontros não passam de “conversa jogada fora”,
eis que – raramente- naquelas rodas ou cochichos, alguém
tocava no “assunto” em pauta. Se o mundo continua o mesmo,
então acho que interessa mesmo é saber se o governo federal
não vai, como tem vindo ao longo de nossa história, “tapear” o
tempo todo e, afinal cuidar só dessa auto-clave que é a
desonrosa política nacional brasileira; e o povo que se lixe...
Tenho experiência de vida suficiente para não me surpreender
com nenhuma nova frustração; no entanto, confesso: há um
fio de esperança de que o atual governo federal vai quebrar essa
maldita tradição. Acho mesmo que está esfacelando-a
e, se não for derrubado, não só construirá a
Transposição de água do São Francisco,(como
está: racional, competente e patrioticamente concebida no sagrado
Projeto de Integração e Revitalização do Rio
São Francisco, a meu ver grande prova de que a Transposição
vem mesmo de Deus e funcionará como uma vacina contra os catastrofistas
de plantão, que não concebem o São Francisco oferecendo
suas águas generosas aos sertanejos do semi-árido e depois
mergulhar no Atlântico em Cabedelo, Natal e Fortaleza), como reafirmará que “O
Rio da Unidade Nacional” é prova de amor e isto mata de inveja
qualquer apocalíptico...
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