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Opiniões
Contra gritos,
argumentos
Diário do Nordeste - Ceará
Roberto Pessoa
01/03/2005
Foram muitas as vezes em que ouví dizer que estava
pregando no deserto. Não foram poucas as vezes
que ouvi conselhos para deixar de tanto insistir no tema
da transposição das águas do Rio
São Francisco. Foram várias as ocasiões
em que me deparei com o descrédito e a desconfiança.
A transposição das águas do Velho
Chico, por muito tempo, era um tema considerado irreal
utópico e fantasioso. Setores da imprensa do Sudeste
- montados no secular preconceito contra a região
- tratavam a questão como um megalomaníaco
projeto para desperdiçar recursos.
Parte da imprensa nordestina, numa infeliz atitude
de colonialismo e submissão, fazia coro e endossava a rejeição. Políticos
e entidades civis dos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais
apontavam a inviabilidade acusando a escassez das águas do rio.
Mas apesar da oposição e da rejeição de muitos,
finalmente, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou o
projeto, endossando nota técnica da Agência Nacional de Águas
que afirmou existir volume hídrico suficiente no rio para permitir
sua execução. Como um dos obstinados defensores, desde quando
líder empresarial, do projeto da transposição, sinto-me
recompensado.
Mas a guerra não está ganha. Nós, os nordestinos
do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte não podemos
baixar a guarda. A partir de agora, seguramente recrudescerão os
gritos contra a obra por parte daqueles, cuja visão estreita enxergam
a transposição como uma medida usurpadora e não um
instrumento de redenção de extensa faixa territorial deste
País, habitada por brasileiros com todo direito de viver uma vida
digna, livres do estigma da miséria. A obra é polêmica
e disto todos sabemos. Tanto assim, que sua discussão se arrasta
desde a época do reinado de Dom Pedro II quando engenheiros europeus
aqui vieram para estudar a possibilidade. A precária tecnologia
daqueles tempos permitiu somente a construção do Açude
do Cedro, intervenção valiosa então e até os
dias atuais.
É uma obra polêmica mas hoje totalmente viável técnica,
política e socialmente. E serão com estas armas - principalmente
as técnicas - que as próximas batalhas vão ser enfrentadas.
Contra os gritos usaremos argumentos. E daqui faço um alerta e
uma convocação a todos os parlamentares e entidades que
querem ver a continuidade do projeto: vamos manter o esforço conjunto,
incentivados pela certeza de estarmos em busca da redenção
de quase 10 milhões de nordestinos.
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