Portal do Ministério da Integração Nacional
   
   
 
Integração de Bacias
Revitalização do São Francisco
O Rio e seus Números
O que Diz a Mídia
Notícias
Opiniões
Perguntas e Respostas
Fotos e Imagens
Fale Conosco
Aviso de Edital
Documentos Técnicos
 


Opiniões


A transposição
Correio da Paraíba

Lourdinha Luna

22/02/2005


Há dez anos fui apresentada ao cel. João Ferreira Filho, pelo médico João Medeiros, quando caminhávamos na av. Cabo Branco. No breve passeio pude avaliar seu interesse pelo nosso semi-árido o que me animou a presenteá-lo com um exemplar de “A Paraíba e seus problemas”, onde o autor dá a dica para minimizar as seqüelas do flagelo climático: Interligar as bacias do Tocantins e do São Francisco e despejar nos nossos reservatórios a água, que não tem sucedâneo, e é indispensável para a vida humana.

Quando o coronel se ausentava do cooper estava em São Paulo, convencendo os empresários paulistanos a se engajarem no projeto de transposição de 1% da água que seria retirada abaixo de Cabrobó e que tem sua decantação no mar. Se os agentes econômicos do Sul desprezassem essa iniciativa, os grandes centros teriam de absorver levas de sem empregos, porque o campo não tem como fixá-los, nos anos improdutivos. A economia sulina iria sofrer com os problemas advindos do êxodo rural que seria considerável.

Na Paraíba, outros apóstolos integraram-se à campanha salvadora. No governo, José Maranhão aumentou o numero de açudes, em Brasília o Senador Marcondes Gadelha levantava a bandeira do sonho centenário, e o intrépido deputado Assis Quintãns entrava de corpo e alma na batalha. Outros ilustres paraibanos se sensibilizaram com o grito de remissão do semi-árido. Era uma nova Independência do Brasil, da Proclamação da República ou da Libertação dos Escravos, nossos mais expressivos movimentos cívicos. Como esses processos tiveram êxito a Transposição também será vitoriosa pois, nessa guerra, não faltarão generais e soldados combativos!

No dia 4 de outubro pp. o rio completou 503 anos de seu batismo. Em 1501 chegando Américo Vespúcio à sua margem direita deslumbrou-se com a torrente impetuosa, a precipitação de sua enfurecida cachoeira e como era dia de São Francisco Assis deu-lhe este nome, para homenagear o santo italiano que aniversariava naquela data. Com o tempo sumiu o sobrenome. Como seu curso desliza exclusivamente em solo brasileiro recebeu do escritor Euclides da Cunha, o crisma de rio da Unidade Nacional.

O projeto original de transposição foi elaborado pelo engenheiro cearense Tristão Franklin Alencar de Lima, em 1886, por determinação da Coroa. Portanto, vivemos há 118 anos numa expectativa frustrante. O que a Nação gasta numa seca é quase o mesmo que despenderá com um trabalho que ficará para sempre. Mas há os entraves regionais que dificultam as ações.

Todos os governos do pais a começar pela monarquia acenaram com esse caminho para salvar o Nordeste. Epitácio Pessoa fez os açudes que Getúlio Vargas continuou. Os presidentes militares tiveram seu papel. FHC afirmou em Campina Grande que começaria a transposição e os campinenses devem se lembrar dessa promessa, em praça pública. Até então, nada foi concretizado.

Estados egoístas, pressionam o Presidente Luiz Ignácio e a sociedade para se oporem ao plano redentor de um território nacional, sacrificado pelos invernos inconstantes. O chefe da Nação reage aos interesses confessos e assegura sua execução.

Peço licença ao professor Francisco Pereira da Nóbrega para reproduzir neste espaço, seu pensamento: “Se em Brasília, o Planalto reflete JK, nas águas transpostas do São Francisco, a memória de Lula atravessará os séculos”. Assim seja, Senhor!


 
     
Ministério da Integração Nacional - São Francisco