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Opiniões
Velho Chico
mascarado
Estado de Minas
Haroldo Vinagre
Brasil
11/02/2005
Engenheiro e professor Pouco a pouco, nos fins do século passado, o
Brasil foi abdicando das grandes obras de infra-estrutura, de modo geral sempre
decisões unilaterais dos presidentes da época. Assim foram Brasília,
a ponte Rio-Niterói, a hidrelétrica de Itaipu, as minas de Carajás,
a rodovia Belém-Brasília, a usina de Tucuruí, centrais
nucleares, Açominas, Cosipa, os grandes aeroportos, mineroduto da Samarco,
porto de Tubarão e tantas outras iniciativas de vulto que embasaram
o desenvolvimento brasileiro. Hoje em dia, qualquer grande decisão de
investimento, compreensivamente, exige a participação da sociedade,
seja por suas implicações sociais e ecológicas, seja pelo
fator inibidor dos escassos recursos disponíveis, que brigam entre si
no campo das prioridades.
Não se justifica tanta delonga no processo decisório de
implantação de projetos importantes
Mas, por outro lado, não se justifica tanta delonga no processo
decisório de implantação de projetos importantes,
que são esquartejados e pulverizados entre vários órgãos
de governo e da sociedade civil, sem que se chegue a um consenso com base
em argumentação racional. É o caso da TRANSPOSIçãO
das águas do São Francisco. Obra símbolo, que pretende
ser o resgate da dívida social para com o Nordeste assolado pelas
secas, desde que o Brasil se entende por gente.
No entanto, as discussões sobre o projeto, ao caminhar na área
emocional e ideológica, mascaram os verdadeiros problemas a serem
ultrapassados. Na realidade, há que se definirem os seguintes aspectos
do projeto: qual o efetivo impacto ambiental?; qual o custo/benefício
econômico e social?; que população será beneficiada?;
qual o volume de água disponível para a TRANSPOSIçãO,
descontado o já comprometido ao longo do curso do rio?
E, finalmente e talvez a mais importante questão a considerar,
qual o volume de recursos que será acoplado ao projeto para a recuperação
do rio a montante, em particular na região de Minas Gerais? Este
aspecto é fundamental porque, além de vultosos recursos,
ele demanda toda uma participação social, para que se torne
realidade, sem o que todos os projetos a jusante, existentes
e a implantar, se esvaziarão com o tempo. Devem-se também
levar em conta outras iniciativas em curso, como a construção
de 1 milhão
de cisternas financiadas pelo Banco Mundial, conflitantes
com a TRANSPOSIçãO
e que irão atender a uma necessidade básica de fornecimento
de água potável, fixando no solo, definitivamente, a miséria
das populações beneficiadas, se outras medidas complementares
não forem tomadas. Nem decisão unilateral do príncipe,
nem assembleísmo. O que se pede, nesse caso, é bom senso
e boas intenções dos atores sociais.
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