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Opiniões
Além do
Fato: Os aspectos da transposição do Velho Chico
Jornal do Brasil
Jorge Parente
31/12/2004
O Projeto de Integração da Bacia do São Francisco às
bacias hidrográficas do Nordeste, que objetiva abastecer de água
12 milhões de habitantes do semi-árido do Nordeste, vem sendo
apoiado ou criticado por diversas vozes.
Seus opositores usam argumentos insustentáveis a fim de descaracterizar
os aspectos benéficos da vulgarmente chamada “TRANSPOSIÇÃO” do
Velho Chico. Seus entusiastas vêem na iniciativa a saída possível
para amenizar as condições de vida subumanas de uma população
que tem o direito básico de acesso à água potável
- e a melhores condições de vida - negado durante séculos.
O empreendimento é viável por inúmeras razões,
entre as quais enumero quatro: o volume de água a ser retirado é mínimo;
o valor dos investimentos é inferior ao montante despendido pelo
governo federal com ação assistencialista quando ocorre uma
seca; o projeto disponibilizará água para um terço
da população do Nordeste, beneficiando diretamente 12 milhões
de pessoas; haverá a implementação de novos negócios
na região a partir da garantia do suprimento de água para
o desenvolvimento, com geração de empregos no interior.
Por esses motivos, nós, da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec), vamos liderar uma cruzada em defesa do
Projeto São Francisco. Nosso objetivo é iniciar um trabalho
de mobilização das federações de indústrias
dos estados do Nordeste, bem como das bancadas parlamentares da região
na Câmara dos Deputados e no Senado em apoio ao Projeto São
Francisco.
Contataremos as federações de indústria de outros estados
do Nordeste esclarecendo a importância de que estas se engajem na
luta em favor dessa obra, que é fundamental para reduzir a vulnerabilidade
do semi-árido às secas.
Nossa mobilização vai se concentrar inicialmente junto aos
empresários e representantes políticos dos quatro estados
- Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco - que deverão
ser beneficiados pela captação de águas do Rio São
Francisco. Num segundo momento, esse esforço chegará às
federações de indústrias e aos parlamentares dos demais
estados nordestinos, além de Minas Gerais.
Precisamos explicar aos nossos colegas empresários e também
aos parlamentares de cada estado, mesmo daqueles que são contrários à obra,
a importância da integração de bacias para o desenvolvimento
do semi-árido.
A obra é importante não somente para o Ceará. Receberão
seus benefícios todos os demais estados receptores e, sobretudo,
uma parcela da população brasileira condenada ao perene flagelo
das secas. Além desses fatos, estudos técnicos já comprovam
que os demais estados banhados pelo São Francisco em nada sairão
prejudicados.
Quando conhecerem o projeto, os presidentes das federações
não vão negar seu apoio a uma obra tão fundamental
para milhões de nordestinos. Vamos unir forças para defender
o Projeto São Francisco.
* Empresário, presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec) e diretor da Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
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