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Opiniões
Integração
do rio São Francisco
Jornal O Povo - CE
Jorge Parente
11/12/2004
A Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec) acolheu, no último
dia 6, em sua Casa da Indústria, os principais
líderes empresariais, presidentes de entidades,
secretários de Estado, diretores de autarquias,
técnicos e políticos para ouvir o dr. Pedro
Brito do Nascimento, chefe de Gabinete do Ministério
da Integração Nacional, que apresentou
o projeto de integração do rio São
Francisco às bacias hidrográficas nordestinas.
Como em outras causas, de fundamental importância para o desenvolvimento
regional, que levaram a Fiec a mobilizar lideranças políticas
e empresariais e a sociedade civil organizada, seja na questão
da reforma tributária, na reabertura da Superintendência
do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), na discussão dos juros
do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), no racionamento de energia
elétrica, na conservação das estradas federais implantadas
no território cearense, etc, também agora, a Federação
espera que se unam, em torno do ministro Ciro Gomes, as lideranças
políticas da região, realmente interessadas em afastar o
fantasma da seca da área do semi-árido.
No momento, o governo apresenta um projeto viável e de custo significativamente
menor que o de outros já formulados e arquivados, com o qual se
dispõe a resolver a situação hídrica nordestina,
conferindo segurança na disponibilidade de água para os
próximos cinqüenta anos,
Ao se lançar em defesa dessa arrojada investida, a Fiec assimila
a certeza da plena viabilidade sócio-econômica do empreendimento,
principalmente baseada em quatro vertentes fáceis de entendimento:
1) diferentemente dos projetos anteriores, frente
aos quais se opuseram políticos e a sociedade de Estados que erroneamente se sentiam
prejudicados pela evasão das águas, é mínimo
o volume a ser retirado, agora, da bacia hidrográfica do São
Francisco, apenas 3% do fluxo pós Sobradinho.
2) o valor dos investimentos, previstos em cerca
de R$ 4,5 bilhões,
afigura-se inferior ao montante despendido pelo governo federal, ao longo
de sua prestação assistencialista às comunidades
nordestinas, nas ocorrências de secas. Sabido que, somente nas secas
de 1997/98, a União gastou R$ 2,6 bilhões, portanto mais
da metade do investimento projetado para a integração das
bacias hidrográficas.
3) O projeto pretende disponibilizar água para 1/3 da população
do Nordeste, beneficiando diretamente cerca de 10 milhões de pessoas.
Trata-se, realmente, de números fantásticos, que não
podem ser desprezados.
4) A implementação de novos negócios na região,
a partir da garantia do suprimento de água necessária para
o seu pleno desenvolvimento, traduz geração de empregos
no interior, notadamente com a agricultura, irrigação e
pecuária, evitando a migração de milhares de pessoas,
que acorrem às áreas periféricas das grandes cidades,
em busca de emprego para sustentação familiar .
Com a execução de dois eixos básicos, para o curso
das novas águas que se acoplarão às bacias regionais,
o do Norte, beneficiando o Ceará e Rio Grande, e o do Leste, favorecendo
os estados da Paraíba e Pernambuco, cerca de mil quilômetros
de rios serão perenizados, aí compreendido o rio Salgado,
no Ceará, que colherá água do São Francisco,
em Cabrobó (PE), através de um canal de 400 quilômetros,
espargindo-se, em seguida, para o rio Jaguaribe e para o Castanhão,
suprindo as necessidades do nosso Estado.
A Fiec não duvida do patriotismo de nossas lideranças políticas.
Por isso, acredita que as bancadas dos parlamentares dos quatro estados
beneficiados se unam, em coesão de princípios, em defesa
desse projeto tão bem conduzido pelo ministro Ciro Gomes.
JORGE PARENTE é presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec)
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