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Opiniões
Transposição:
que projeto! Brasília contra?
O Jornal - AL
Fernando Valença
01/12/2004
Não escrevo para e nem leio os jornais da Capital
Federal, porém soube que, desde o dia 19 p.p.,
um deles - o Correio Braziliense - vem publicando sucessivas
matérias, em geral “CONTRA” o Projeto
de Integração do Rio São Francisco!
Repetindo: CONTRA O PROJETO! O inacreditável é que
eu não sabia que aquele jornal é notoriamente
petista, mas o mais inconcebível: não tem
havido resposta, contestação, reação
ou seja lá o que deveria ter sido feito pelo Poder
Executivo, diga-se logo: pelo Ministério da Integração
Nacional em defesa daquele magnífico projeto de
engenharia!
Colaborador de jornais há muitos anos, tenho a necessária
precaução de considerar que matérias produzidas por
esse tipo de escritor não representam, necessariamente, a posição
política ou o que for dos órgãos de imprensa que
as publicam, os quais, sistematicamente, assinalam essa desvinculação,
formalmente, nos locais respectivos: os chamados espaços de “Opinião” ou
equivalentes; entretanto, sabe-se que há natural cuidado de cada órgão
da imprensa em aceitar referidas colaborações, levando em
conta a probidade reconhecida de quem as assinam, etc.
O que importa, no caso em foco, é que - a meu ver - das duas uma:
o Poder Executivo não está dando a mínima para essas
matérias de que me falou alguém em Brasília por se
tratar de “Matéria de Opinião”, cujo horizonte
escapa à percepção, intencional, do governo federal,
ou é tão definitiva a sua decisão de construir a
transposição, tal como está definida no Projeto de
Integração do Rio São Francisco, que não o
preocupa e nem acha justo desperdiçar tempo e conversa com matérias
opinativas, por mais cáusticos ou justos que sejam os seus autores,
o que daria na mesma.
O que não se pode perder de vista é que, nesse “galinheiro” que é a
política nacional, tal desdém por aquele aparente runimol
de matérias contra a transposição, em Brasília,
na cara da Presidência da República, possa encobrir algum
indisfarçável golpe baixo para intimidar o próprio
governo a tender para o torpor miserável que costuma desestimular
o ânimo de enfrentar tudo e todos e, afinal realizar, vencer, construir
grandes e inadiáveis projetos de que o povo precisa, há séculos,
como é o caso do da transposição de águas
do Velho Chico para o semi-árido nordestino brasileiro (repetirei
até o fim): do jeito que está naquele Projeto de Integração.
Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, não
sou cientista político nem profeta, mas, não sabendo quanto
tempo de vida me resta, por mais que ainda viva, faço aqui, agora,
o vaticínio, sem nenhuma dúvida de cometer erro, de que,
se Vossa Excelência não honrar e cumprir sua palavra de que
construirá, “NA MARRA!”, a transposição
de águas do rio São Francisco, nos exatos termos em que
está concebida naquele projeto, sabe quem é que irá fazê-la?
Resposta: NINGUÉM!
Com isto, creio que é chegada a hora de parar de fazer apelo a
sua excelência, o Presidente da República, e ao Ministério
da Integração Nacional (que só se fosse completamente “vesgo” para
não constatar). Não incumbem pessoas, como o engenheiro
João Urbano Cagnim, do próprio governo, um gênio -
e nem é nordestino -, que é capaz de convencer o mais irritante
e/ou aparentemente genial crítico do projeto, a tocarem pra frente
esse barco. Refiro-me à necessidade de fazer calar as vozes de “cassandras” caolhas
que estão puxando para baixo o fardo salvador da transposição,
não só nessas matérias localizadas - mandem ver em
Sergipe, na Bahia, em Pernambuco e até aqui -, e poluindo a compreensão
de leitores com argumentos cavilosos, todos fulminados facilmente pela
leitura do projeto, sem falar dessas tais “reuniões” de
centenas de burocratas de gabinete que nada mais fazem do que criar obstáculos
insustentáveis, contra o meridiano e inquestionável Projeto
de Integração do Rio São Francisco.
Da minha parte, enquanto este jornal abrigar, estarei
defendendo (com toda emoção de caririzeiro que teve o cuidado de ler e relê-lo),
o projeto, lembrando a todos que, se o atual Presidente da República
não o fizer, NA MARRA, ninguém o fará. E, dest’arte,
nossa História, em relação às secas, seria
um mortuário covarde...
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