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Opiniões
Discutindo a
Transposição
O Jornal - AL
Fernando Valença
24/11/2004
Conversa vai, conversa vem, o que os brasileiros comuns
mais desejam é que Sua Excelência o
Presidente da República assuma, integralmente,
o que virou manchete de jornais no ano passado, quando
disse: “... farei a Transposição,
na Marra”! Principalmente nós nordestinos,
os milhões que nasceram e os que vivem no
semi-árido, sertões e cariris deste
velho e exaurido Nordeste... É que o tempo
passa, as gerações se sucedem e nossa
história vai sendo escrita do jeito que a
gente lê: os pulos do Brasil não têm
os pés fincados por aqui, em relação
ao que deve ser feito para enfrentar o flagelo das
secas... Chega!
Em dezembro passado, o maior acionista da Companhia
Siderúrgica
Nacional, o sr. Benjamim Steinbruch, botou a boca na mídia dizendo
que as obras da Transnordestina começariam em janeiro deste ano.
Foi aplaudido e cortejado, daquele jeito que a demagogia e a insensibilidade
nacional consagraram e que se resume numa coisa: ‘não importa
se é, ou não verdade’, esses caras falam o que quiserem
falar, viram centro da atenção momentânea e se nada
do que disserem acontecer,....problema do povo, e fim de papo. Ou não é assim
que nossos líderes, “de fachada”, atuam no Brasil?
Em relação a esse caso, já vem aí outro dezembro
e nem um metro de trilho novo foi “construído”em Salgueiro,
Petrolina ou qualquer outro endereço da malfada Transnordestina...
O que o sujeito falou não fui cumprido, mas e daí? Sabemos
a resposta: daí nada! Que é como agem, neste País,
quase todos aqueles que detém Poder, Dinheiro e Força e
que, conhecendo como conhecem nossa fragilidade cívica, vão
levando a vida, pouco ligando se o que disseram é ou não
cumprido! O negócio deles é outro.
De tanto ver esse filme passar, a gente vê também que é “papo
furado” aquele exagero do sonhador Euclides da Cunha, coitado, que
escreveu: “o sertanejo é antes de tudo um forte”. No
máximo, dentro da conjuntura de “Os Sertões”,
que ele escreveu, o sertanejo FOI um forte, -enquanto teve como resistir
e viver aquela “epopéia”-, um tipo de protesto inviável
no presente, por “n” razões que nem vale a pena enumerar. É duro
admitir mas não adianta querer enganar aos outros e muito menos
a si próprio; isto é, nossa trajetória capenga evidencia
que, hoje em dia, não só o sertanejo não é um
forte mas, pior: o Nordeste é, antes de tudo, um fraco...
Refiro-me a uma resistência calhorda que muitos fazem à concretização
do Projeto de Integração do Rio São Francisco! A
Transposição de menos de três por cento de água
do Velho Chico para combater a fome, a sede e a miséria extremas
que martirizam e matam irmãos nossos, há séculos,
devido ao fenômeno da seca! O tipo do problema cuja equalização é simples. É demasiadamente
simples e, todavia, não são os americanos que não
querem resolve-lo! Tem até nordestino que é contra a transposição!
Isto, não tem nome. Qualquer adjetivo ou palavrão de nosso
idioma é insuficiente para se condenar a irracional objeção àquele
projeto que é bem elaborado, moderno, tecnicamente perfeito! Feito
por brasileiros os mais competentes, patriotas, profissionais, responsáveis,
incapazes de deixar qualquer indagação procedente sem resposta,
PÔ! E tem gente que se agrupa para vaticinar, qual malditos apocalípticos,
que o “rima”, que “o roma”, que “o Ibema”,
que “o ibima”, que “o meio ambi-nada”, que “o
comitá” ou que o “o come o diabo que os carregue” se
reuniram e vão se reunir para discutir se vão permitir o
uso da água só pra beber; pra beber e pra plantar; se os
animais também; ou só pra dar descarga no esgoto; e que “vão
DAR AUTORIZAÇÃO”! AH! Faz favor. Quem é o Presidente
desta Nação? Hein!? AH! É um nordestino, “pau
de arara” que, sóbrio, prometeu fazer a transposição,
NA MARRA? É ele?
Senhor Presidente, manda essa gente trabalhar e
cumpra sua palavra: faça
a transposição, “NA MARRA”!
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