| |
 |
Opiniões
Abriram o inferno
contra a transposição
Artigo - O Jornal - AL
Fernando Valença
21/10/2004
Não é possível dormir direito quando
se vive uma experiência dessas... No último
domingo li, via Internet, a reportagem que o “Estadão”,
jornal de S. Paulo, publicou a respeito do Projeto de
Integração do Rio S. Francisco. Li e reli
várias vezes, contendo-me para depois escrever,
com a possível compostura, aqui que é o
meu lugar. Nem terminei o esboço e, já na
terça-feira, de novo, aquele famoso jornal voltou
ao assunto! Só dois dias depois!? Dá para
desconfiar. O espaço encolhe; por isso, vou direto à questão
reproduzindo trechos, só do que saiu ali, dia
19 p.p., assim: “Antes, recuperar o rio”, é o
título; “Ninguém se oporá a
um programa de ajuda a essa população”,
do semi-árido nordestino que padece com as secas; “O
que se discute é que tipo de programa sustentável
ao longo do tempo, tanto do ponto de vista econômico
como ambiental, o Brasil deverá adotar”; “o
Comitê de Gestão da Bacia Hidrográfica
do S. Francisco iniciou consultas públicas sobre
o projeto”; O rio de integração nacional”...”tornou-se
o rio da desunião nacional”; “E a
causa da divisão é justamente o projeto
de desvio de suas águas para áreas do sertão
nordestino afetadas pela seca”; “Embora sejam
respeitáveis os argumentos do governo, especialmente
os de natureza humanitária, são muitos
os que se opõem ao plano e seus argumentos são
tecnicamente fortes” e logo dou um salto “Por
isso, antes de desviar as águas do rio, é preciso
recuperá-lo”.
Dói, dói demais agüentar uma provocação
descabida dessas, agravada pela origem! O Estadão tem tradição, é um “velho
respeitável” a quem não se perdoa que se desvirtue
dessa maneira... Refiro-me a que o projeto de integração
do rio S. Francisco que o Presidente Luiz Inácio da Silva autorizou
a sair do papel, é uma peça extraordinariamente correta!
Nada há, nele, que alguém possa apontar como discutível,
muito menos errado! O tipo de problema que ele, o projeto, equacionou é de
inadiável execução e já deveria ter sido implantado
há mais de um século. Por favor, não digam que estou
confundindo assunto técnico com sentimento telúrico. Até poderia
porque provenho do cariri seco, mas não é o caso. O que
faz encrespar o raciocínio, franzir a testa e retesar os punhos é ver
uma subversão dessas: aquele respeitável órgão
da imprensa de S. Paulo, servindo de palanque a dúvidas que não é justo
levantar em torno do projeto de integração do rio S. Francisco.
E preciso repetir, falar alto, escrever, sinalizar,
divulgar, demonstrar que o rio NÃO será desviado; é falso dizer que a
capacidade de produzir energia hidro-elétrica será reduzida; é uma
covardia insinuar que o “Velho Chico” poderá “secar” por
causa da transposição! É falta de patriotismo, no
mínimo, emitir opinião a respeito do que não se conhece,
como é o caso da maioria dos boquirrotos, na Mídia e na
Política, que se opõem àquele projeto, elaborado
cientificamente, voltado para o que deve ser feito para
proteger o rio S. Francisco e com todo o meio ambiente que abrange.
Por fim, é uma insensatez essa posição obsessiva
de certos grupos e entidades que, irresponsavelmente, desfraldam suas
bandeiras de porta-vozes do apocalipse, apontando todas as mazelas e prejuízos
que a ignorância, o atraso e a ganância provocaram ao rio
S. Francisco e, agora, condicionam a concretização do Projeto à prévia “recuperação” do
rio! Isto é maldade e muito despreparo. A recuperação
do que a falta de educação destruiu em cinco séculos,
não se opera no mesmo ritmo e tempo em que se edificará a
obra do Projeto de Integração. O presidente deve mesmo fazer
a transposição, NA MARRA!
|
 |