Portal do Ministério da Integração Nacional
   
   
 
Integração de Bacias
Revitalização do São Francisco
O Rio e seus Números
O que Diz a Mídia
Notícias
Opiniões
Perguntas e Respostas
Fotos e Imagens
Fale Conosco
Aviso de Edital
Documentos Técnicos
 


Opiniões


A transposição só depende de coragem

Fernando Valença
O Jornal (Maceió)

06/10/2004



Por uma simples razão: todo mundo está de “saco cheio” de ouvir promessas e não vê-las cumpridas... É a praga mais comum de nossa fraca realidade popular e, sobretudo, política. Napoleão disse que “Os homens lutam com mais bravura pelos seus interesses do que por seus princípios”.

Essa questão, secular, da transposição de águas do rio São Francisco para beneficiar o semi-árido nordestino é uma daquelas humilhações que comprovam à sociedade o quanto somos fracos e o quanto são ruins nossos governos, em todos os níveis. Já o disse, escrevendo: “Ninguém nasce governo e como todo indivíduo que vira governo é parido pelo povo”, está tudo explicado.

De qualquer modo, se for verdade que há exceções, convém seguir destilando inconformidade com o que envolve a edificação do projeto de integração do rio São Francisco. Assim: o semi-árido nordestino que abrange vários Estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, é uma região castigada por secas devastadoras, desde que o mundo existe.

No tempo do Brasil colônia, a seca de 1721 a 1726 sacrificou mais de 1 milhão de pessoas e rebanhos inteiros de animais, além de plantações. Foi tão grande que o Reino de Portugal mandou três navios lotados de alimentos para socorrer os sobreviventes que receberam ordem para se ocupar cavando e construindo açudes, cisternas, etc., capazes de acumular água quando, um dia, as chuvas voltassem a cair.

Começou ali o que viria a se transformar na maldita “política assistencialista” que variou para carros-pipa, “arranhar” o chão fingindo que é trabalho para receber uns trocados, cestas básicas e outros tipos de esmolas cretinas que não trazem solução definitiva para a multidão de flagelados mas “enchem o rabo” de uns poucos que, eles sim, resolvem seus problemas: aumentam seus patrimônios e o poder que detêm graças à manipulação dessas custosas tapeações que as secas germinam.

Custosas porque a seca de 1998 a 2000, por exemplo, custou mais de 1 bilhão de reais; naquela ocasião, a transposição poderia ter sido feita com pouco mais e não era, como não é, uma medida assistencialista viciada, corrompida, inócua e imoral.

O imperador D. Pedro II, no século XIX, esteve aqui e prometeu, –se não houvesse recursos suficientes no Tesouro do Império-, vender os 632 diamantes de sua coroa e destinar o apurado contra as secas; mas logo foi expulso do Brasil. Com a República, sempre houve despesas com estudos, pesquisas, relatórios, estimativas, avaliações, projetos e o diabo a quatro cujo custo o povo sempre pagou, porém a situação permaneceu como está: a mesma... Vou parar de evocar esse nojo.

Resumidamente: existem milhares de transposições de água no mundo inteiro; é uma coisa simples de ser feita, só precisa de dinheiro e decisão de macho. O Egito, a China e o Peru têm transposição de água. O governador da Guanabara, Carlos Lacerda, fez a do Rio Guandu, no grito, durante seu mandato; ele tinha insônia e costumava aparecer, de surpresa, nas escavações dos túneis e outras obras que não paravam, dia e noite. Ele demitiu o Secretário de Obras que, numa dessas incertas, estava longe da obra. Eu morava perto, lembro o fato. O rio Piracicaba, em SP, tem uma.

Aqui, no seu nível mais baixo, o “Velho Chico” tem vazão de 1.850 metros cúbicos por segundo. A transposição só utilizará 63,5 metros cúbicos/seg. em alguns períodos. Quando chover, não precisará sugar quase nada do rio.

Dizem que há o risco dele virar “não perene” e de não poder girar as hidroelétricas: é falso! Está na hora de parar de inventar órgãos, consultorias e siglas. Só falta decisão: picareta no barranco e murro na mesa, na marra!

     
Ministério da Integração Nacional - São Francisco