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Questão Humanitária

23/09/2004

 
Ricardo Stuckert/PR
 

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (23/09), falando para comunicadores das mais importantes emissoras de rádio do País, que o Projeto de Integração da Bacia do São Francisco às Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional “é uma questão humanitária”, pois é preciso garantir ao povo nordestino, “que já tem outros problemas, que não tenha o (problema) da água para beber, pelo menos”.
Eis a resposta do presidente Lula à pergunta do radialista Geraldo Freire, da Rádio Jornal do Commercio, de Recife, sobre o Projeto de Integração do rio São Francisco:

Presidente: Eu espero que nós tenhamos a sorte de colocar em prática as coisas que já pensamos, que já discutimos e que estamos discutindo, inclusive com o Comitê da Bacia do São Francisco, porque se você ficar ideologizando essa coisa, o rio é meu, o rio é seu, o rio ninguém toca, você não vai resolver um problema crônico, que é o problema da seca do semi-árido nordestino, que há 300 anos todo mundo fala que vai resolver e não resolve.
É importante lembrar que esse projeto é de Dom Pedro. Em 1847 Dom Pedro já imaginava fazer a transposição das águas do Rio São Francisco para levar água ao semi-árido. Nós estamos num processo muito grande de revitalização do rio, inclusive, antes de tirarmos a água, nós queremos ter uma política muito forte de saneamento básico nas cidades ribeirinhas, para que a gente possa jogar água tratada dentro dos rios. Há um trabalho conjunto entre todos os ministros envolvidos na área do saneamento básico e na área do florestamento, na área da integração regional, o meio ambiente. Nós vamos, então, a partir de janeiro, com essa idéia, começar a fazer as obras, Vamos começar o processo de licitação, que não vai tirar muita água do São Francisco, vai tirar o suficiente para que as pessoas possam beber água decentemente. Qual é a novidade? A novidade é que você vai tirar – eu não queria dizer o número e errar – 73 metros cúbicos por segundo. É a mesma quantidade de um projeto Pirarucu que está sendo criado no Mato Grosso, onde, para criar peixe, o cidadão deve fazer um canal de 63 metros cúbicos por segundo. Essa água, qual é a novidade dela? É que ela vai interligar muitos açudes existentes no Nordeste. Essa interligação vai permitir que os açudes não fiquem salinizados, vai permitir que eles estejam sempre com água, não tem aquele negócio de estar cheio um dia, no outro dia está vazio, estar seco. E vai permitir a gente possa ter um mínimo de política de irrigação para atender, sobretudo, à agricultura familiar...

Pergunta: O Tocantins está no projeto?

Presidente: Está, está no projeto. É que o projeto é muito grande, exige, envolve alguns anos para construir. Os dois trechos principais que vamos fazer é o eixo leste e o eixo oeste, parece-me que é o estado de Pernambuco e o estado do Ceará. É uma obra que deve custar o equivalente a dois bilhões. Nós queremos começar, inaugurar o primeiro trecho, mais ou menos em junho de 2006, prioritariamente para se beber água. Obviamente que, no meio, vamos ter alguns processos de irrigação em alguma área. Isso nós vamos fazer.
Nós fizemos todos os debates que poderíamos fazer. Primeiro, foi o vice-presidente José Alencar, que viajou o Brasil inteiro discutindo o projeto; depois eu passei para a mão do ministro Ciro Gomes, que já andou por onde deveria andar, já fez várias reuniões com o Comitê de Bacias, tentando aparar todas as divergências possíveis. E nós vamos fazer porque é um bem para o Brasil.

Eu não sei como é que pode alguém, que não passou sede, me parece como os nossos amigos “Coelhos”, seja contra a gente levar um caneco d’água para um nordestino que está passando sede, que às vezes tem que andar seis léguas com um pote na cabeça para trazer uma água barrenta, depois da vaca beber, depois da cabra beber, depois de defecar dentro da água. Essa pessoa leva a água para beber em casa. Eu não sei como é que uma pessoa, como o Coelho, pode ser contra isso. Eu te confesso que eu acho que é até uma questão humanitária, você garantir que o povo nordestino, que tem outros problemas, mas não de água para beber, pelo menos.


Para mais informações sobre os programas e ações do Ministério, acesse a página da Rádio e TV/MI: http://www.mi.gov.br/tvmi


 

     
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