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A Tarde - Bahia
Ex-ministro indiciado pela PF
04/02/2006
| Adelson Barbosa
JOÃO PESSOA – A delegada Luciana Paiva, da Polícia Federal (PF) da Paraíba, anunciou hoje o indiciamento do ex-prefeito de João Pessoa e ex-governador Cícero Lucena Filho (presidente estadual do PSDB e pré-candidato ao Senado), e outras 27 pessoas, por fraudes em licitações, estelionato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, falsidade ideológica, corrupção, tráfico de influência e formação de quadrilha.
Ex-ministro da INTEGRAÇÃO NACIONAL do governo FHC, Lucena é acusado de fazer parte de uma quadrilha que desviou, segundo a PF, cerca de R$ 37,78 milhões de obras públicas - financiadas pelo governo federal - através de licitações fraudulentas.
A delegada disse que, entre 1996 e 2004, a Prefeitura utilizou, sem licitação, R$ 58,22 milhões, enviados pela União para obras, e que apenas R$ 20,44 milhões foram gastos nas obras Segundo a delegada, Lucena e as outras 27 pessoas (entre empresários, ex-secretários e servidores municipais) que fazem parte da quadrilha foram indiciadas no inquérito da chamada Operação Confraria, encaminhado ontem à 3ª Vara Federal da Paraíba.
Luciana Paiva não divulgou a relação dos indiciados, alegando segredo de Justiça. No entanto, os principais envolvidos no desvio de verbas da Prefeitura de João Pessoa (além do ex-prefeito) são Julião Antão de Medeiros, Wagner Péricles Amorim Pereira, Marcelo José Queiroga Maciel, Fábio Magno de Araújo (empresários), José Javan Trigueiro Bezerra (ex-funcionário da Julião), Evandro Almeida, Potengi Lucena, Everaldo Sarmento e Rubria Beltrão (ex-secretários de Infra-Estrutura de João Pessoa).
A Operação Confraria foi desencadeada no dia 21 de julho do ano passado e resultou na prisão do ex-prefeito de João Pessoa, que é marido da vice-governadora da Paraíba, Lauremília Lucena. Na ocasião, os empresários e ex-secretários também foram presos.
As principais fraudes, segundo a PF, ocorreram nas obras de esgotamento sanitário e drenagem de águas pluviais do bairro do Bessa e na urbanização da orla marítima de João Pessoa. Licitações vencidas no ano 1991 eram utilizadas na contratação de empresas para a realização de novas obras dez anos depois. Conforme a PF, as obras eram pagas mesmo sem serem realizadas.
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